Descobrir que tem um pólipo uterino gera dúvidas imediatas: precisa operar? Existe remédio? Tem cura? A resposta depende de uma avaliação individualizada, porque nem todo pólipo exige o mesmo tratamento. Entender as opções disponíveis ajuda você a conversar melhor com seu médico e tomar decisões mais conscientes sobre a própria saúde.
O que são os pólipos uterinos e por que o tratamento varia
Os pólipos endometriais são crescimentos benignos que surgem no revestimento interno do útero. Sua incidência varia entre 7,8% e 34,9% das mulheres, e a grande maioria não representa risco imediato à saúde. No entanto, existe uma probabilidade de 3% a 5% de transformação em câncer endometrial, o que torna a avaliação médica indispensável antes de qualquer decisão (Boureka et al., 2025).
Pense no pólipo como uma saliência que cresce na parede de um corredor. Ela pode ser pequena e inofensiva, pode causar obstrução, ou pode ter características que exigem atenção mais urgente. A decisão de intervir depende do tamanho, da localização, dos sintomas e do perfil da paciente.
Alguns fatores aumentam o risco de que um pólipo se torne maligno. Mulheres na pós-menopausa com sangramento vaginal anormal apresentam risco de 3 a 4 vezes maior para malignidade (Boureka et al., 2025). Pólipos com diâmetro igual ou superior a 18 mm também apresentam maior risco de alterações histológicas preocupantes (Xie et al., 2025). Mulheres acima de 60 anos têm 5,31 vezes mais chance de ter um pólipo maligno do que aquelas entre 40 e 59 anos (Boureka et al., 2025). Esses dados mostram por que o tratamento não pode ser padronizado: ele precisa ser personalizado.
Observação, medicamentos e cirurgia: quando cada um se aplica
Conduta expectante (observação)
Em mulheres jovens, sem sintomas e com pólipos pequenos, a observação pode ser uma opção inicial. Alguns pólipos regridem espontaneamente, especialmente em mulheres na pré-menopausa. Contudo, o acompanhamento médico regular é obrigatório, pois o manejo a longo prazo dos pólipos endometriais tem emergido como uma área de crescente interesse científico justamente para prevenir recorrência e malignização (Wang L et al., 2024).
Tratamento medicamentoso
Não existe um remédio que elimine o pólipo uterino de forma definitiva. O que a medicina dispõe são medicamentos capazes de controlar sintomas ou reduzir o risco de recorrência após a retirada cirúrgica.
O sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (DIU hormonal) tem sido estudado nesse contexto. Ele atua liberando progesterona diretamente no útero, o que pode ajudar a controlar o ambiente hormonal que favorece o crescimento dos pólipos. No entanto, sua eficácia depende da presença de receptores hormonais adequados no tecido, que podem estar reduzidos em lesões como pólipos e hiperplasia endometrial (Donnez et al., 2022). Ou seja, o medicamento pode funcionar bem em algumas pacientes e ter resposta limitada em outras.
Mulheres que usam tamoxifeno, medicamento comum no tratamento do câncer de mama, merecem atenção especial: o uso prolongado por mais de 48 meses aumenta a incidência de lesões endometriais para 30,8%, tornando o acompanhamento ginecológico ainda mais importante nesse grupo (Bianchi et al., 2022).
Cirurgia: a histeroscopia como padrão-ouro
A retirada do pólipo uterino por histeroscopia é considerada o tratamento mais eficaz e definitivo. O procedimento é realizado com um instrumento fino introduzido pelo canal vaginal até o interior do útero, sem necessidade de cortes externos. É como usar uma câmera com ferramentas cirúrgicas para trabalhar dentro de um espaço fechado, com precisão e sem precisar abrir as paredes.
A histeroscopia permite não apenas retirar o pólipo, mas também examinar toda a cavidade uterina e coletar material para análise laboratorial. Isso é especialmente importante quando há suspeita de alterações malignas ou quando o pólipo está associado a sangramento anormal (Carson SA, Kallen AN, 2021). Quando a análise do pólipo identificar hiperplasia endometrial, recomenda-se avaliar todo o revestimento do útero, pois a alteração pode estar presente além do pólipo (Yasuo et al., 2022).
Em mulheres com dificuldade para engravidar, a remoção histeroscópica de pólipos também pode melhorar os desfechos reprodutivos, já que anormalidades da cavidade uterina estão associadas a resultados gestacionais adversos (Bianchi P. et al., 2022).
Pólipo uterino tem cura?
Sim, o pólipo uterino tem cura. A retirada completa por histeroscopia é, na maioria dos casos, resolutiva. O desafio está na possibilidade de recorrência: novos pólipos podem surgir ao longo do tempo, especialmente se os fatores hormonais que favoreceram o primeiro crescimento continuarem presentes.
Por isso, o acompanhamento ginecológico regular após o tratamento não é opcional. A decisão sobre a melhor abordagem, seja observação, medicamento ou cirurgia, deve ser tomada em conjunto com um especialista, considerando sua idade, sintomas, histórico de saúde e resultado dos exames. Não existe resposta única, mas existe a resposta certa para cada caso.
Referências bibliográficas
Boureka E. et al. Cancers, 2025. Xie et al. Journal of Health, Population and Nutrition, 2025. Yasuo T. et al. Diagnostics, 2022. Bianchi et al. J. Clin. Med., 2022. Carson SA, Kallen AN. JAMA, 2021. Bianchi P. et al. J. Clin. Med., 2022. Donnez et al. Fertil Steril, 2022. Wang L et al. International Journal of Women’s Health, 2024.
Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde.
* Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e validado por especialista.
* Imagem meramente ilustrativa produzida por inteligência artificial.
![]() | Dr. Luiz Sabaini Ginecologista CRM/SP 222.683 | RQE 131795 |




