Colocar um DIU hormonal é uma decisão que envolve expectativas, dúvidas e, muitas vezes, um pouco de ansiedade. Nos primeiros dias e meses após a inserção, o corpo passa por um período de adaptação que pode gerar sintomas variados. Saber distinguir o que é esperado do que merece atenção médica faz toda a diferença para que você viva essa experiência com mais segurança e tranquilidade.


O que acontece com o corpo nos primeiros meses

O DIU hormonal, também chamado de DIU de levonorgestrel ou DIU-LNG, libera uma pequena quantidade de hormônio diretamente no útero. Esse hormônio age principalmente de forma local, mas pode ter algum efeito no restante do organismo, especialmente no início do uso.

Pense no útero como um ambiente que precisa se reorganizar depois de receber algo novo. Nos primeiros trinta dias, é comum que o sangramento seja mais frequente e irregular do que o habitual. Estudos mostram que, nesse período, as usuárias do DIU hormonal apresentam, em média, mais dias de sangramento e de manchas leves no absorvente do que as usuárias do DIU de cobre. Isso não significa que algo está errado. É parte do processo de adaptação.

Além do sangramento irregular, cólicas leves a moderadas também podem aparecer nas primeiras semanas. Em comparação com o DIU de cobre, o DIU hormonal tende a provocar menos dor nesse período inicial, mas o desconforto existe e é real. Com o passar dos meses, o padrão muda: o sangramento tende a diminuir progressivamente e, em muitas mulheres, pode desaparecer por completo. Essa ausência de menstruação, chamada de amenorreia, é um efeito esperado e, em geral, considerado benéfico, especialmente para quem sofria com fluxo intenso ou cólicas fortes.


Efeitos colaterais que podem surgir além do sangramento

Por liberar um hormônio, o DIU-LNG pode causar alguns efeitos que vão além do útero. Os mais relatados são dor de cabeça e acne. Estudos comparativos mostram que esses efeitos ocorrem com mais frequência em usuárias do DIU hormonal do que em usuárias do DIU de cobre, embora nem todas as mulheres os experimentem.

Funciona de forma parecida com o que acontece quando qualquer substância nova entra em contato com o organismo: algumas pessoas reagem mais, outras quase não percebem diferença. A intensidade dos efeitos colaterais varia bastante de mulher para mulher, e muitos deles tendem a se estabilizar após os primeiros meses de uso.

É importante saber que esses sintomas, quando presentes, não significam necessariamente que o DIU precisa ser retirado. Mas se forem intensos, persistentes ou estiverem comprometendo a sua qualidade de vida, essa é uma conversa que deve ser feita com seu ginecologista. A decisão de manter ou retirar o DIU deve sempre considerar o seu bem-estar e as suas preferências individuais.


Quando os sintomas merecem atenção imediata

A maioria dos sintomas do DIU hormonal é esperada e se resolve com o tempo. No entanto, alguns sinais pedem avaliação médica sem demora.

Dor pélvica intensa e persistente, febre, corrimento com odor fora do comum ou dor durante a relação sexual podem indicar infecção ou deslocamento do DIU, situações que precisam ser investigadas. Esses eventos são incomuns, mas acontecem, e reconhecê-los cedo faz diferença no resultado do tratamento.

Outro ponto que merece atenção: embora o DIU hormonal seja um dos métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis, nenhum método é cem por cento infalível. Se você suspeitar de gravidez, procure seu médico imediatamente, pois quando uma gestação ocorre em usuárias de DIU, há uma chance maior de que ela seja ectópica, ou seja, fora do útero, o que é uma emergência médica.

Por fim, lembre-se de que a ausência de menstruação, embora possa causar estranheza ou preocupação, é um efeito reconhecido e, em muitos casos, desejado do DIU hormonal. Estudos mostram que esse efeito contribui para uma melhora significativa na qualidade de vida de mulheres com sangramento intenso, cólicas, adenomiose e endometriose. Ainda assim, se a amenorreia gerar dúvidas ou desconforto emocional, converse com seu médico. Suas preocupações são válidas e merecem ser ouvidas.


Referências bibliográficas

Bianchi, P. et al. J. Clin. Med., 2022. Liu P et al. eClinicalMedicine, 2024. Turok DK et al. N Engl J Med, 2021. Stratopoulou, C.A. et al. J. Clin. Med., 2021. Mullany et al. Women’s Health, 2023.

Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde.

* Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e validado por especialista.

* Imagem meramente ilustrativa produzida por inteligência artificial.

Dr. Luiz SabainiDr. Luiz Sabaini
Ginecologista
CRM/SP 222.683 | RQE 131795

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