Muitas mulheres convivem por anos com a perda involuntária de urina, evitando atividades, carregando absorventes na bolsa e adiando a consulta médica por medo do que podem ouvir. O medo da cirurgia é real e compreensível. Mas o que poucos sabem é que a cirurgia raramente é o primeiro passo e, quando bem indicada, pode representar uma virada significativa na qualidade de vida.


Antes da cirurgia, existe um caminho a percorrer

A incontinência urinária não é um problema único. Ela se apresenta de formas diferentes: a perda de urina ao tossir, espirrar ou se exercitar é chamada de incontinência de esforço; a vontade urgente e incontrolável de urinar, muitas vezes sem conseguir chegar ao banheiro a tempo, é a incontinência de urgência; e quando as duas se combinam, temos a forma mista. Identificar qual tipo está presente é fundamental, porque o tratamento de cada uma é diferente.

Antes de qualquer procedimento cirúrgico, o tratamento de primeira linha para todos os tipos de incontinência inclui exercícios para fortalecer o assoalho pélvico, treinamento vesical, ajustes na alimentação e na ingestão de líquidos. Pense nisso como a fisioterapia que vem antes de qualquer decisão mais invasiva: o corpo precisa de uma chance de responder com o que é mais simples e seguro primeiro.

Além disso, algumas causas de incontinência são temporárias e tratáveis, como infecção urinária, uso de certos medicamentos, constipação intestinal ou atrofia vaginal após a menopausa. Quando esses fatores estão presentes, tratá-los pode resolver ou melhorar muito o problema, sem necessidade de cirurgia.


Quando a cirurgia entra em cena

A cirurgia passa a ser uma opção real quando o tratamento conservador não produziu melhora suficiente, quando os sintomas comprometem significativamente a rotina, o trabalho, os relacionamentos e o bem-estar emocional, ou quando a incontinência está associada a condições que exigem abordagem especializada, como prolapso de órgãos pélvicos, fístulas, alterações neurológicas ou cirurgias pélvicas anteriores.

Para a incontinência de esforço, a cirurgia mais estudada e utilizada é o sling uretral, um procedimento minimamente invasivo que posiciona uma fita sintética sob a uretra para dar suporte e evitar a perda de urina. É como instalar um apoio firme sob uma estrutura que perdeu sustentação. Existem variações técnicas desse procedimento, como o sling retropúbico e o transobturador, cada um com perfis de risco ligeiramente diferentes: o retropúbico tem maior risco de sangramento e dificuldade para urinar no pós-operatório, enquanto o transobturador apresenta maior taxa de sintomas neurológicos e necessidade de reoperação para incontinência de esforço.

Para a incontinência de urgência que não responde ao tratamento clínico, existem opções avançadas como a aplicação de toxina botulínica na bexiga e a neuromodulação sacral, um dispositivo implantável que regula os sinais nervosos que controlam a bexiga. Vale mencionar que os medicamentos anticolinérgicos, frequentemente usados para urgência, têm seu uso crônico associado a risco aumentado de demência, o que reforça a importância de discutir alternativas com o médico.


O risco de adiar sem acompanhamento

Adiar a avaliação médica não elimina o problema. A incontinência urinária afeta cerca de 50% das mulheres com mais de 50 anos e, sem tratamento adequado, tende a progredir. Além do impacto físico, ela aumenta o risco de depressão, isolamento social e piora da autoestima.

Cirurgia tem riscos, e isso precisa ser dito com clareza. O sling uretral, por exemplo, pode causar lesão vesical, dificuldade miccional ou, em casos mais raros, erosão do material. Por isso, a decisão cirúrgica deve ser tomada em conjunto com um especialista, após avaliação completa que pode incluir exames urodinâmicos e cistoscopia, especialmente quando o tratamento inicial não trouxe resultado satisfatório.

O maior erro não é ter medo da cirurgia. O maior erro é deixar o medo impedir que você busque avaliação, porque sem diagnóstico correto, nenhuma decisão, seja ela cirúrgica ou não, pode ser tomada com segurança.


Referências

Dai et al., 2023. BMC Pregnancy and Childbirth

McKinney, J.L. et al., 2022. Journal of Women’s Health

Pop-Lodromanean, D. et al., 2025. Journal of Clinical Medicine

Padoa, A. et al., 2025. Journal of Clinical Medicine

Batmani et al., 2021. BMC Geriatrics

Jefferson FA & Linder BJ, 2024. Mayo Clinic Proceedings

Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde.

* Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e validado por especialista.

* Imagem meramente ilustrativa produzida por inteligência artificial.

Dr. Luiz SabainiDr. Luiz Sabaini
Ginecologista
CRM/SP 222.683 | RQE 131795

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