Adenomiose é uma condição uterina que causa cólicas intensas e sangramento abundante, mas tem tratamento e pode ser controlada com acompanhamento médico adequado. Apesar de ser pouco conhecida pelo público geral, ela afeta uma parcela significativa das mulheres em idade reprodutiva e merece atenção.
O que é adenomiose e por que ela acontece
O útero é formado por camadas. A mais interna, chamada endométrio, é o tecido que descama a cada menstruação. Já a camada muscular que envolve o útero por dentro é o miométrio. Na adenomiose, células do endométrio migram e se instalam dentro dessa parede muscular, como se raízes de uma planta invadissem uma estrutura onde não deveriam estar. Isso provoca espessamento, inflamação e disfunção do músculo uterino.
Essa condição pode se apresentar de duas formas: difusa, quando os focos estão espalhados por todo o miométrio, ou focal, quando se concentram em uma região específica, formando nódulos. Hoje, a adenomiose é reconhecida como uma doença distinta da endometriose, embora as duas possam coexistir na mesma paciente, assim como os miomas uterinos.
A adenomiose é dependente de estrogênio, o hormônio feminino predominante na fase reprodutiva da vida. Por isso, ela é mais comum em mulheres nessa fase. Fatores como múltiplas gestações anteriores, abortos e procedimentos cirúrgicos no útero também estão associados a um risco maior de desenvolvê-la. Sua prevalência varia entre 12% e 58% das mulheres em idade reprodutiva, dependendo do critério diagnóstico utilizado.
Quais são os sintomas de adenomiose
Os sintomas de adenomiose variam bastante de mulher para mulher. Algumas não apresentam nenhum sinal perceptível. Outras, no entanto, relatam sintomas que comprometem significativamente a qualidade de vida no dia a dia e, especialmente, durante o período menstrual.
Os sinais mais comuns incluem: menstruação abundante (hipermenorreia) — o sangramento pode ser intenso a ponto de exigir troca frequente de absorventes e causar anemia; cólica intensa (dismenorreia secundária) — a dor tende a ser mais forte do que a cólica menstrual habitual e, em cerca de 20% dos casos, não responde aos anti-inflamatórios comuns; dor pélvica crônica — que persiste fora do período menstrual; e sangramento uterino anormal — fora do ciclo esperado.
A adenomiose também pode estar associada a dificuldades para engravidar e a perdas gestacionais de repetição, possivelmente porque a parede muscular do útero, quando comprometida, não funciona de forma ideal para a implantação e manutenção da gravidez.
É importante destacar que a intensidade dos sintomas nem sempre reflete a extensão da doença. Uma adenomiose extensa pode ser silenciosa, enquanto uma forma mais localizada pode causar dor intensa.
Como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento
Durante muito tempo, o diagnóstico definitivo de adenomiose só era possível após a retirada do útero, por meio da análise do tecido em laboratório. Hoje, o ultrassom transvaginal e a ressonância magnética permitem identificar características sugestivas da doença de forma não invasiva, como o espessamento assimétrico da parede uterina, cistos dentro do músculo e alterações na zona de transição entre o endométrio e o miométrio.
Apesar dos avanços, o diagnóstico e a classificação da adenomiose ainda carecem de padronização, o que pode dificultar a comparação entre diferentes casos e a escolha do tratamento mais adequado.
Quanto ao tratamento, é fundamental deixar claro: atualmente não existe medicamento aprovado especificamente para curar a adenomiose. O que existe são estratégias para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida, escolhidas de acordo com a gravidade do quadro, a extensão da doença e o desejo de engravidar.
Entre as opções disponíveis estão medicamentos hormonais para reduzir o sangramento e a dor, dispositivos intrauterinos com liberação hormonal e, em casos selecionados, a cirurgia conservadora para remover o tecido doente preservando o útero. Essa última opção exige um cirurgião experiente e envolve riscos específicos, especialmente em gestações futuras. Nos casos mais graves, sem desejo de gravidez, a histerectomia ainda é considerada o tratamento definitivo.
A escolha do caminho mais adequado deve ser sempre individualizada e discutida com um ginecologista de confiança.
Referências
Selntigia et al., 2024. J. Clin. Med.
Etrusco A et al., 2023. Drugs
Moawad, G. et al., 2023. J. Clin. Med.
Stratopoulou, C.A. et al., 2021. J. Clin. Med.
Smolarz, B. et al., 2021. Int. J. Mol. Sci.
Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde.
* Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e validado por especialista.
* Imagem meramente ilustrativa produzida por inteligência artificial.
![]() | Dr. Luiz Sabaini Ginecologista CRM/SP 222.683 | RQE 131795 |




