A laqueadura tubária é uma das decisões mais importantes que uma mulher pode tomar sobre o próprio corpo. Para que essa escolha seja feita com segurança e tranquilidade, é fundamental entender o que acontece durante a cirurgia, quais são as opções disponíveis e o que esperar depois do procedimento.

O que é a laqueadura tubária e como ela funciona

A laqueadura tubária, também chamada de ligadura de trompas ou esterilização feminina, é uma cirurgia que impede a gravidez de forma permanente. Ela age interrompendo o caminho entre o óvulo e o espermatozoide dentro das trompas de Falópio, que são os tubos que conectam os ovários ao útero.

Pense nas trompas como uma ponte entre dois pontos. A laqueadura fecha essa ponte de maneiras diferentes: ela pode ser cortada, amarrada, cauterizada ou bloqueada com pequenos dispositivos. O resultado é o mesmo: o óvulo não consegue ser fecundado.

A forma mais comum de realizar a cirurgia de laqueadura é por laparoscopia, uma técnica minimamente invasiva em que o médico faz pequenas incisões no abdômen e utiliza uma câmera para visualizar e operar as trompas. Existe também uma abordagem chamada oclusão tubária histeroscópica, feita pelo interior do útero, sem cortes externos. Cada método tem características próprias: a versão laparoscópica tende a exigir mais dias de recuperação, enquanto a histeroscópica, embora permita retorno mais rápido às atividades, está associada a uma chance maior de necessidade de uma nova cirurgia no futuro.

Nos últimos anos, uma alternativa à laqueadura tradicional vem ganhando espaço: a salpingectomia bilateral, que é a remoção completa das trompas. Estudos mostram que esse procedimento oferece uma proteção adicional contra o câncer de ovário, algo que a laqueadura convencional também proporciona, mas em menor grau. A salpingectomia, no entanto, costuma levar um pouco mais de tempo para ser realizada, cerca de 10 a 16 minutos a mais do que a laqueadura laparoscópica convencional.


O que esperar antes, durante e depois da cirurgia

Antes da cirurgia, a mulher passa por uma avaliação clínica para garantir que está apta ao procedimento. É importante conversar abertamente com o médico sobre expectativas, dúvidas e histórico de saúde. Mulheres que já tiveram gravidez ectópica, por exemplo, precisam de atenção especial, pois intervenções anteriores nas trompas podem aumentar o risco de uma nova gravidez fora do útero.

O procedimento em si é realizado sob anestesia, dura entre 30 e 45 minutos em média e, na maioria dos casos, permite que a paciente vá para casa no mesmo dia ou no dia seguinte. O pós-operatório costuma ser tranquilo. Estudos mostram que as taxas de complicações graves são baixas e semelhantes entre as diferentes técnicas cirúrgicas. Podem ocorrer desconfortos leves como dor abdominal, inchaço, cansaço e pequeno sangramento nos primeiros dias, o que é esperado e faz parte da recuperação normal.

Assim como um corte na pele que precisa de alguns dias para cicatrizar antes de você retomar atividades intensas, o corpo também precisa de um tempo para se reorganizar internamente após a cirurgia. Respeitar esse período é parte fundamental de uma boa recuperação.


Sintomas que podem aparecer e quando buscar ajuda

Após a laqueadura tubária, a maioria das mulheres não apresenta alterações hormonais significativas, já que os ovários continuam funcionando normalmente. Os ciclos menstruais geralmente se mantêm, e sintomas como alterações de humor, ganho de peso ou queda de libido não são causados diretamente pela cirurgia.

No entanto, algumas mulheres relatam mudanças no padrão menstrual nas semanas seguintes. Isso pode estar relacionado à interrupção de métodos contraceptivos hormonais anteriores, e não à laqueadura em si.

Fique atenta a sinais que merecem avaliação médica, como febre, dor intensa e persistente no abdômen, sangramento intenso, inchaço progressivo ou sinais de infecção no local da incisão. Esses sintomas não são esperados e indicam que algo precisa ser investigado com cuidado.

Vale lembrar que, embora a laqueadura seja considerada permanente, ela não é 100% infalível. Em casos raros, pode ocorrer falha do procedimento. Se houver atraso menstrual ou suspeita de gravidez após a cirurgia, procure seu médico imediatamente, pois existe um risco aumentado de gravidez ectópica nessa situação.

A decisão pela laqueadura tubária é profundamente pessoal. Ter informações claras e confiáveis é o primeiro passo para escolher com segurança.


Referências bibliográficas

Gormley et al., 2021. Reprod Health

Magarakis L, et al., 2023. BMJ Open

Carson SA, Kallen AN, 2021. JAMA

Radu, T. et al., 2024. J. Clin. Med.

Mullany et al., 2023. Women’s Health

Strandell A et al., 2024. The Lancet Regional Health – Europe

Papageorgiou, D. et al., 2025. Biomedicines

Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde.

* Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e validado por especialista.

* Imagem meramente ilustrativa produzida por inteligência artificial.

Dr. Luiz SabainiDr. Luiz Sabaini
Ginecologista
CRM/SP 222.683 | RQE 131795

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima