Cólicas intensas, sangramento abundante e dor pélvica podem ser sinais de adenomiose. Aprenda a identificar os sintomas e entenda por que tantas mulheres demoram anos para receber esse diagnóstico.
O que é adenomiose e por que ela é tão difícil de identificar
Imagine que as paredes de uma casa começam a ser invadidas por raízes que não deveriam estar ali. Algo parecido acontece no útero de mulheres com adenomiose: o tecido que normalmente reveste a parte interna do útero, chamado endométrio, começa a crescer dentro da própria parede muscular do órgão, o miométrio. Esse crescimento fora do lugar provoca inflamação, espessamento da parede uterina e uma série de sintomas que afetam diretamente a qualidade de vida.
A adenomiose é uma condição ginecológica benigna, ou seja, não é um câncer. Mas isso não significa que seja inofensiva. Ela afeta mulheres em idade reprodutiva e sua prevalência varia bastante, podendo chegar a quase 60% em alguns grupos estudados. Apesar de comum, o diagnóstico costuma demorar porque os sintomas são frequentemente confundidos com ‘cólica normal’ ou com outras condições, como miomas e endometriose, com as quais a adenomiose pode inclusive coexistir.
Outro fator que complica o reconhecimento precoce é que cerca de 30% das mulheres com adenomiose não apresentam nenhum sintoma. Isso significa que, quando os sinais aparecem, eles merecem atenção redobrada.
Os principais sintomas de adenomiose que merecem atenção
Os sintomas de adenomiose mais relatados pelas mulheres são o sangramento menstrual intenso, a cólica menstrual forte e a dor pélvica crônica. Entender cada um deles ajuda a perceber quando algo está fora do comum.
Sangramento intenso na menstruação: A menstruação abundante, tecnicamente chamada de hipermenorreia, é um dos sinais mais frequentes. Isso inclui o uso excessivo de absorventes, coágulos no fluxo e menstruações que se prolongam além do esperado. Quando o sangramento é tão intenso que interfere nas atividades do dia a dia, é um sinal de alerta.
Cólica menstrual forte e progressiva: A dismenorreia secundária, como é chamada a cólica que se desenvolve ao longo do tempo, é diferente da cólica que muitas mulheres sentem desde a adolescência. Na adenomiose, a dor tende a piorar com os anos e não responde bem aos analgésicos comuns. É como se a intensidade da dor fosse crescendo a cada ciclo, sem uma explicação aparente.
Dor pélvica crônica: Além da dor ligada ao período menstrual, algumas mulheres sentem desconforto pélvico constante, que persiste fora do ciclo. Essa dor pode ser difusa, difícil de localizar com precisão, e muitas vezes é subestimada ou atribuída ao estresse.
Útero aumentado: Em alguns casos, o médico pode identificar um útero globular e aumentado ao exame físico ou por ultrassom. Esse achado, embora não seja percebido pela própria mulher, é um dado importante para o diagnóstico.
É fundamental destacar que a intensidade dos sintomas nem sempre reflete a gravidade da doença. Mulheres com adenomiose extensa podem ter sintomas leves, enquanto outras com formas mais localizadas podem sofrer muito.
Quando buscar ajuda médica e o que esperar
Se você reconhece esses sintomas no seu próprio corpo, especialmente a combinação de cólica menstrual forte, sangramento abundante e dor pélvica que não melhora com o tempo, é importante procurar um ginecologista. Não normalize a dor.
Historicamente, a adenomiose só era confirmada após a retirada do útero, por análise do tecido em laboratório. Hoje, o diagnóstico avançou muito: a ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética permitem identificar sinais da doença de forma não invasiva, com precisão semelhante entre os dois métodos. O médico irá avaliar características como espessamento assimétrico das paredes do útero, cistos dentro do músculo uterino e alterações na zona de transição entre o endométrio e o miométrio.
A adenomiose também pode estar associada à dificuldade para engravidar e a perdas gestacionais de repetição, o que reforça a importância do diagnóstico precoce, especialmente para mulheres que desejam ter filhos.
O tratamento existe e pode melhorar significativamente a qualidade de vida. Mas o primeiro passo é reconhecer que o que você sente não é normal, e que buscar ajuda é um ato de cuidado com você mesma.
Referências
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Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde.
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![]() | Dr. Luiz Sabaini Ginecologista CRM/SP 222.683 | RQE 131795 |




