Decidir pela laqueadura tubária é uma das escolhas mais definitivas que uma mulher pode fazer sobre o próprio corpo. Mas entre o desejo de não engravidar e a decisão cirúrgica, existe um caminho importante a percorrer: entender quando essa cirurgia é realmente indicada, quais são os riscos envolvidos e o que a ciência diz sobre as opções disponíveis.


Quando a laqueadura tubária é indicada?

A laqueadura tubária é uma forma de esterilização cirúrgica permanente. Ela consiste em bloquear, cortar ou remover as trompas de Falópio, impedindo que o óvulo e o espermatozoide se encontrem. Pense nas trompas como uma ponte entre o ovário e o útero: a laqueadura fecha essa passagem de forma definitiva.

A indicação principal é o desejo permanente de não ter mais filhos, em mulheres que já completaram sua prole ou que, por razões pessoais ou de saúde, não desejam engravidar. No Brasil, a lei exige que a mulher tenha pelo menos 25 anos ou dois filhos vivos para realizar o procedimento de forma eletiva.

Além do desejo contraceptivo, existem situações clínicas em que a cirurgia nas trompas se torna necessária por outras razões. Uma delas é a hidrossalpinge, condição em que a trompa acumula líquido e fica obstruída. Nesses casos, a laqueadura ou a remoção da trompa antes de uma fertilização in vitro aumenta significativamente as chances de gravidez, pois o líquido acumulado pode prejudicar o embrião. Outra situação é a gravidez ectópica, quando o embrião se implanta dentro da trompa em vez do útero. Quando há ruptura tubária, sangramento intenso ou falha do tratamento medicamentoso, a cirurgia se torna urgente e necessária para preservar a vida da mulher.


Quais são os riscos e as contraindicações?

Como qualquer cirurgia, a laqueadura tubária não é isenta de riscos, e conhecê-los é parte essencial da decisão informada.

O procedimento mais comum é realizado por laparoscopia, uma técnica minimamente invasiva com pequenas incisões no abdômen. Em comparação com outras abordagens, como a oclusão tubária histeroscópica, a laparoscopia demanda um tempo cirúrgico um pouco maior e um período de recuperação ligeiramente mais longo, mas oferece menor taxa de necessidade de reoperação.

Nos últimos anos, a salpingectomia bilateral, que é a remoção completa das trompas, tem sido considerada uma alternativa à laqueadura clássica. Estudos indicam que tanto a laqueadura quanto a salpingectomia oferecem proteção contra o câncer de ovário, mas a remoção total das trompas parece oferecer uma proteção ainda maior. Esse benefício é relevante porque parte dos cânceres de ovário tem origem justamente nas trompas. No entanto, a salpingectomia leva em média 16 minutos a mais para ser realizada e pode, em alguns estudos, impactar levemente a reserva ovariana, especialmente em mulheres que já apresentavam alguma condição tubária prévia.

A taxa de complicações até oito semanas após a cirurgia é baixa em ambas as técnicas: cerca de 8% para salpingectomia e 6% para oclusão tubária. Complicações graves são raras e ocorrem em proporção semelhante nos dois grupos. A perda sanguínea, embora maior na salpingectomia, é clinicamente mínima.

Contraindicações absolutas à cirurgia incluem instabilidade clínica grave, infecções ativas não tratadas e condições que impeçam a anestesia segura. A decisão deve sempre ser individualizada com o médico.


O que considerar antes de decidir?

A laqueadura é considerada um método permanente. Embora existam técnicas de reversão, elas não garantem o retorno da fertilidade, especialmente após anos da cirurgia. Por isso, a decisão deve ser tomada com clareza, sem pressões externas e com plena convicção sobre o desejo de não engravidar mais.

É importante saber que a ciência ainda não tem respostas definitivas sobre qual técnica cirúrgica é superior em todos os aspectos. Faltam estudos de alta qualidade que comparem diretamente a laqueadura e a salpingectomia com métodos contraceptivos reversíveis de longa duração, como o DIU hormonal. Isso significa que a conversa com o seu médico é insubstituível: ele poderá avaliar seu histórico, suas condições de saúde e seus objetivos para indicar o caminho mais adequado.

Se você sente medo ou dúvida, esse é o momento certo de buscar informação de qualidade, não de adiar a conversa. Decisões tomadas com conhecimento são sempre mais seguras.


Referências bibliográficas

Gormley et al., 2021. Reprod Health Magarakis L, et al., 2023. BMJ Open Mullany et al., 2023. Women’s Health Carson SA, Kallen AN, 2021. JAMA Radu, T. et al., 2024. J. Clin. Med. Strandell A et al., 2024. The Lancet Regional Health – Europe Papageorgiou, D. et al., 2025. Biomedicines

Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde.

* Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e validado por especialista.

* Imagem meramente ilustrativa produzida por inteligência artificial.

Dr. Luiz SabainiDr. Luiz Sabaini
Ginecologista
CRM/SP 222.683 | RQE 131795

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