O pólipo uterino é uma das condições ginecológicas mais comuns, afetando entre 7,8% e 34,9% das mulheres. Apesar de ser, na maioria das vezes, uma lesão benigna, ele não é inofensivo em todos os casos. Há situações em que adiar a cirurgia representa um risco real — e reconhecer esses momentos pode fazer toda a diferença para a sua saúde.
O que é um pólipo uterino e por que ele pode ser perigoso
O pólipo uterino é um crescimento que se forma no revestimento interno do útero, chamado endométrio. Pense no endométrio como o revestimento de uma parede: quando uma parte desse revestimento cresce de forma desordenada e forma uma saliência, surge o pólipo. Ele pode ser único ou múltiplo, pequeno ou grande, e em muitos casos não causa sintoma algum.
Mas atenção: cerca de 68% das mulheres com pólipo uterino apresentam sangramento uterino anormal — como menstruações muito intensas, sangramentos fora do período menstrual ou, especialmente, sangramento após a menopausa. Esse sangramento ocorre porque o pólipo provoca congestão local, pequenas necrose e ruptura de vasos, resultando em perda de sangue.
O problema mais sério, porém, é o risco de transformação maligna. Estudos mostram que entre 3% e 5% dos pólipos endometriais podem evoluir para câncer de endométrio. Esse risco não é igual para todas as mulheres — ele aumenta significativamente em determinados perfis — e é exatamente por isso que a avaliação médica não pode ser adiada.
Quais sinais indicam que a cirurgia de pólipo uterino não pode esperar
Existem situações em que a cirurgia de pólipo uterino deixa de ser uma opção eletiva e passa a ser uma necessidade urgente. Os principais fatores que elevam o risco e indicam intervenção sem demora são:
Sangramento na pós-menopausa. Este é um dos sinais mais sérios. Em mulheres que já passaram pela menopausa e apresentam pólipos, a prevalência de malignidade pode chegar a 10,9%. Além disso, esse grupo tem um risco 3 a 4 vezes maior de câncer endometrial associado ao pólipo. Qualquer sangramento após a menopausa deve ser investigado imediatamente.
Idade acima de 60 anos. Mulheres nessa faixa etária têm 5,31 vezes mais chance de apresentar um pólipo maligno em comparação com aquelas entre 40 e 59 anos.
Tamanho do pólipo igual ou superior a 18 mm. Pólipos maiores apresentam maior risco de alterações histológicas graves, ou seja, de apresentarem células com comportamento anormal ao exame microscópico.
Espessura aumentada do endométrio e obesidade. Uma espessura endometrial igual ou superior a 10,8 mm eleva o risco de malignidade em 3,5 vezes. Um índice de massa corporal acima de 32,5 kg/m² aumenta esse risco em 5,5 vezes.
Uso de tamoxifeno. Mulheres em tratamento prolongado com tamoxifeno — medicamento usado em alguns casos de câncer de mama — têm maior incidência de lesões endometriais, incluindo pólipos com potencial maligno.
Diagnóstico de hiperplasia endometrial no pólipo. Quando o exame do pólipo revela hiperplasia (crescimento excessivo e desordenado das células), toda a cavidade uterina precisa ser avaliada, pois essa alteração pode estar presente em outras áreas do endométrio.
Nesses cenários, a remoção cirúrgica do pólipo — chamada polipectomia — é a conduta recomendada. O procedimento é realizado por histeroscopia, uma técnica minimamente invasiva que permite visualizar e retirar o pólipo sem cortes externos.
Pólipo uterino tem cura? O que acontece se não tratar
Sim, o pólipo uterino tem cura. A polipectomia histeroscópica é eficaz e, na maioria dos casos, resolve definitivamente o problema, aliviando o sangramento anormal e eliminando o tecido alterado.
O risco de não tratar, porém, é real. Imagine um sinal de alerta que pisca intermitentemente: ignorá-lo não faz o problema desaparecer — apenas atrasa o diagnóstico de algo que poderia ser tratado com muito mais facilidade em estágio inicial. O câncer de endométrio, quando diagnosticado precocemente, tem boas perspectivas de tratamento. Quando identificado tardiamente, afeta seriamente a qualidade de vida e impõe consequências muito mais graves.
Mulheres com fatores de risco — como menopausa, idade avançada, obesidade, síndrome dos ovários policísticos ou uso de tamoxifeno — devem ser acompanhadas de forma ainda mais rigorosa, pois a conversão do pólipo em câncer está intimamente associada a essas condições.
Se você tem pólipo uterino diagnosticado e ainda não recebeu uma orientação clara sobre a necessidade ou não de cirurgia, procure seu ginecologista. A decisão de operar — ou de monitorar com segurança — precisa ser individualizada, baseada no seu histórico, nos seus sintomas e nos achados do exame.
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![]() | Dr. Luiz Sabaini Ginecologista CRM/SP 222.683 | RQE 131795 |




