O DIU hormonal é um método contraceptivo intrauterino que libera progesterona localmente, com alta eficácia e efeitos que variam de pessoa para pessoa. Entenda como ele age no organismo, quais os sintomas mais comuns e o que esperar após a inserção.


O que é o DIU hormonal e como ele funciona

O DIU hormonal, também chamado de DIU de progesterona ou DIU de levonorgestrel, é um pequeno dispositivo em formato de T inserido dentro do útero por um médico. Ele libera, de forma contínua e em doses muito baixas, uma substância chamada levonorgestrel, que é um tipo de progestágeno, ou seja, uma forma sintética da progesterona.

Diferente de um comprimido anticoncepcional, que age em todo o organismo pela corrente sanguínea, o DIU hormonal funciona como um sistema de irrigação localizado: a substância age principalmente dentro do útero, com absorção sistêmica muito pequena. Isso significa que os efeitos hormonais ficam concentrados onde são necessários.

Dentro do útero, o levonorgestrel provoca alterações no muco do colo uterino, tornando-o mais espesso e difícil de ser atravessado pelos espermatozoides. Além disso, ele modifica o revestimento interno do útero, chamado endométrio, deixando-o menos receptivo à implantação. Em muitas mulheres, o ciclo menstrual pode continuar ocorrendo normalmente nos ovários, mas a menstruação se torna progressivamente mais escassa ou pode até desaparecer por completo, fenômeno chamado de amenorreia.

O modelo mais conhecido no Brasil é o DIU Mirena, mas existem outras versões com diferentes concentrações de levonorgestrel. A duração do efeito varia conforme o modelo, podendo chegar a cinco anos ou mais.


Para que o DIU hormonal é indicado

O DIU hormonal é amplamente utilizado como anticoncepcional intrauterino, mas suas indicações vão muito além da contracepção. Ele é considerado uma ferramenta terapêutica importante para diversas condições ginecológicas.

Mulheres que sofrem com menstruação muito intensa ou com cólicas intensas, chamadas de dismenorreia, encontram no DIU de levonorgestrel uma das opções mais eficazes disponíveis. Revisões científicas mostram que ele reduz significativamente a perda de sangue menstrual e melhora a qualidade de vida em comparação com outros tratamentos medicamentosos.

Além disso, o DIU hormonal é indicado para mulheres com adenomiose, condição em que o tecido do revestimento uterino cresce dentro da musculatura do útero, causando dor e sangramento excessivo. Estudos mostram melhora relevante tanto na dor quanto nos padrões de sangramento nessas pacientes.

Outras indicações incluem a hiperplasia endometrial sem atipia, que é um espessamento anormal do revestimento uterino, situação em que o DIU-LNG é considerado tratamento de primeira linha em muitos países, com taxas de regressão superiores às dos progestágenos tomados por via oral. Também é utilizado como proteção do endométrio em mulheres que fazem terapia de reposição hormonal ou que usam medicamentos como o tamoxifeno, empregado no tratamento de câncer de mama.


Sintomas e efeitos esperados após a inserção

Compreender o que pode acontecer após a inserção do DIU hormonal ajuda a distinguir o que é esperado do que pode exigir atenção médica.

Nos primeiros meses, é comum que o padrão menstrual mude bastante. No primeiro mês de uso, mulheres que usam o DIU de levonorgestrel tendem a ter mais dias de sangramento e de manchas leves, chamadas de spotting, em comparação com quem usa o DIU de cobre. Com o tempo, esse quadro tende a se inverter: o sangramento diminui progressivamente e uma parcela significativa das usuárias desenvolve amenorreia, ou seja, ausência de menstruação. Isso não é sinal de problema, mas uma consequência esperada da ação local do hormônio.

Entre os efeitos colaterais hormonais mais relatados estão dor de cabeça e acne, que ocorrem com maior frequência em usuárias do DIU hormonal do que do DIU de cobre. Esses efeitos estão relacionados à pequena quantidade de levonorgestrel que chega à circulação sistêmica.

Eventos adversos que levam à busca por atendimento médico no primeiro mês são relativamente incomuns, ocorrendo em cerca de 5% das usuárias. A descontinuação do método por questões de sangramento, incluindo a amenorreia, é mais frequente com o DIU hormonal do que com o de cobre, o que reforça a importância de a mulher ser bem orientada antes da inserção sobre o que esperar.

É fundamental que médico e paciente conversem abertamente sobre histórico de saúde, preferências e expectativas antes da escolha do método, pois cada organismo responde de forma diferente.


Referências

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Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde.

* Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e validado por especialista.

* Imagem meramente ilustrativa produzida por inteligência artificial.

Dr. Luiz SabainiDr. Luiz Sabaini
Ginecologista
CRM/SP 222.683 | RQE 131795

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