Mulher com cartilha informativa sobre laqueadura

A laqueadura tubária é uma das formas mais conhecidas de anticoncepção permanente. Trata-se de uma cirurgia que bloqueia as tubas uterinas para impedir que o óvulo encontre o espermatozoide, evitando a gravidez de forma definitiva. Apesar de ser um procedimento consolidado, existem variações técnicas, benefícios pouco conhecidos e pontos importantes que toda mulher deve compreender antes de tomar essa decisão.


O que é a laqueadura tubária e como ela funciona

As tubas uterinas funcionam como um corredor natural entre os ovários e o útero. É nesse trajeto que o óvulo e o espermatozoide normalmente se encontram para que ocorra a fertilização. Quando esse corredor é bloqueado, cortado ou removido, a gravidez deixa de ser possível de forma natural.

A laqueadura tubária, também chamada de ligadura de trompas, realiza exatamente esse bloqueio. O procedimento pode ser feito de diferentes formas: por laparoscopia, que utiliza pequenas incisões no abdômen e uma câmera para guiar a cirurgia.

A versão laparoscópica é a mais utilizada e tem perfil de segurança bem estabelecido. A versão laparotômica (corte semelhante a da cesárea), apresenta uma recuperação pouco mais demorada e maior tempo de afastamento do trabalho, também está associada a maior risco de infecção pós-operatória.

Alternativa à laqueadura tubária tradicional, em que se remove um segmento (pedaço) da tuba uterina, outra opção que vem ganhando espaço é a salpingectomia bilateral, que consiste na remoção completa das tubas. Embora leve alguns minutos a mais para ser realizada, oferece uma vantagem adicional relevante: estudos indicam que a remoção das tubas estão associadas a algum grau de proteção contra um futuro câncer de ovário.


Quem pode fazer, indicações e o que considerar antes da cirurgia

A cirurgia de laqueadura é indicada para mulheres que desejam uma anticoncepção permanente e não planejam ter filhos no futuro. No Brasil, a lei permite o procedimento para mulheres com pelo menos 21 anos ou que já tenham pelo menos dois filhos vivos, respeitando um período de reflexão (60 dias) antes da realização.

Por ser considerada definitiva, a decisão exige cuidado. A reversão é tecnicamente possível em alguns casos, mas não há garantia de sucesso, e a cirurgia de reversão é mais complexa. Por isso, é fundamental que a escolha seja feita com maturidade e com base em informação de qualidade.

Vale destacar que a ciência ainda não dispõe de estudos de alta qualidade que comparem diretamente a laqueadura com outras formas de contracepção de longa duração, como o DIU hormonal, para orientar a melhor escolha em cada situação. Isso reforça a importância da conversa individualizada com o médico.

Mulheres com alterações nas tubas uterina, como a hidrossalpinge (acúmulo de líquido que dilata a trompa), também podem se beneficiar da cirurgia antes de tratamentos de fertilização in vitro, pois estudos mostram aumento nas taxas de gravidez clínica após a intervenção nesses casos.


Riscos, recuperação e cuidados após a cirurgia

Como qualquer procedimento cirúrgico, a laqueadura envolve riscos, embora sejam considerados baixos. Complicações intraoperatórias, necessidade de transfusão de sangue e readmissão hospitalar não foram significantes, segundo estudos recentes. A taxa geral de complicações até oito semanas após a cirurgia gira em torno de 6% a 8%, quando não realizadas por videocirurgia.

Após o procedimento laparoscópico, a recuperação costuma ser rápida. A maioria das mulheres retorna às atividades cotidianas em poucos dias. Dor leve na região abdominal, cansaço e desconforto passageiro são esperados nos cinco primeiros dias pós-operatório.

Um ponto que merece atenção: a laqueadura não interfere na produção hormonal dos ovários, nem provoca menopausa precoce. Os ciclos menstruais continuam normalmente após o procedimento. Qualquer alteração hormonal percebida após a cirurgia deve ser investigada com o médico, pois não é causada pela laqueadura em si.

Por fim, é importante saber que um histórico de cirurgias nas tubas, incluindo a própria laqueadura, aumenta o risco de gravidez ectópica caso a anticoncepção falhe. Embora esse evento seja raro, é relevante conhecê-lo.


Referências bibliográficas

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Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde.

* Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e validado por especialista.

* Imagem meramente ilustrativa produzida por inteligência artificial.

Dr. Luiz Sabaini Dr. Luiz Sabaini
Ginecologista
CRM/SP 222.683 | RQE 131795

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