A dor menstrual, conhecida tecnicamente como dismenorreia, é a condição ginecológica mais comum no mundo, afetando entre 16% a 91% das pessoas que menstruam (os números variam entre estudos).

Embora muitas mulheres considerem essa dor como um estado fisiológico (natural), é fundamental diferenciar o desconforto leve de quadros que prejudicam a saúde e o cotidiano.

A diferença entre o esperado e o patológico (anormal)

A medicina classifica as cólicas em primárias e secundárias. A dismenorreia primária ocorre sem uma causa orgânica identificável e geralmente surge na adolescência, logo após o início dos ciclos ovulatórios. Já a secundária é o reflexo de problemas subjacentes, como endometriose, miomas, doença inflamatória pélvica e outras causas.

Para ilustrar, imagine o funcionamento de um motor: um calor suave durante a operação é esperado, mas se o painel indica superaquecimento, há uma falha que precisa de reparo. Da mesma forma, se a dor surge pela primeira vez após os 25 anos ou se torna progressivamente pior e resistente a tratamentos comuns, ela sinaliza algo que não deve ser ignorado.

O mecanismo biológico da dor

A cólica não é um sintoma psicológico; ela tem uma base fisiológica clara chamada prostaglandinas. Durante a menstruação, o útero libera essas substâncias para estimular contrações que ajudam a expelir o revestimento endometrial. O problema ocorre quando a produção é excessiva, causando contrações tão intensas que comprimem os vasos sanguíneos locais.

Isso gera uma falta temporária de oxigênio (hipóxia) no tecido uterino, ativando receptores de dor de forma aguda. É uma reação química interna poderosa: quanto maior o nível dessas substâncias no fluido menstrual, mais severa tende a ser a dor percebida.

Quando buscar ajuda e soluções

A dor deixa de ser considerada "parte normal da vida" quando causa o chamado absenteísmo, impedindo a pessoa de trabalhar, estudar ou manter sua rotina social. Se o desconforto afeta o bem-estar mental ou exige o cancelamento constante de compromissos, a investigação e o tratamento é indispensável.

As opções terapêuticas são amplas e eficazes, variando desde o uso de anti-inflamatórios e contraceptivos hormonais até métodos complementares validados, como a prática regular de exercícios físicos que libera endorfinas. Reconhecer que o sofrimento incapacitante não é uma regra biológica, é o primeiro passo para recuperar a autonomia e a qualidade de vida.

Disclaimer Médico: Este texto tem caráter meramente informativo e não substitui a consulta médica. Caso sofra com dores menstruais intensas, procure sempre um ginecologista qualificado para diagnóstico e tratamento.

*Imagem meramente ilustrativa gerada por Inteligência Artificial.


Dr. Luiz Sabaini

Médico - CRM/SP 222683
Ginecologista e Obstetra - RQE 131795