O implante de etonogestrel é um dos métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis atualmente. Mas como ele se compara à pílula, ao DIU e ao injetável na prática? Entender as diferenças entre os métodos ajuda a tomar uma decisão mais informada junto ao seu médico.
O que é o implante de etonogestrel e como ele funciona
O implante de etonogestrel é uma pequena haste flexível, do tamanho aproximado de um palito de fósforo, inserida sob a pele da parte interna do braço. Ele libera continuamente uma dose baixa de etonogestrel, um hormônio progestágeno, impedindo a ovulação de forma sustentada por até três anos.
Pense nele como um sistema de irrigação automático: enquanto um regador manual depende de você lembrar de usá-lo todos os dias, o implante funciona de forma contínua, sem depender de nenhuma ação sua após a inserção.
Essa característica é justamente o que diferencia os métodos de longa duração, como o implante subdérmico e o DIU, dos métodos de curta duração, como a pílula anticoncepcional e o injetável mensal. A eficácia do implante de etonogestrel é alta, com índice de Pearl geral variando de 0 a 1,4, sendo que oito dos quinze estudos que avaliaram esse dado reportaram 100% de eficácia. Em um ensaio clínico randomizado multinacional, a taxa de falha foi de 0,4 por 100 mulheres-ano, significativamente menor do que a do DIU de cobre, que foi de 2,8 por 100 mulheres-ano. Outro estudo sueco relatou índice de Pearl de 0,0 para o implante, contra 0,9 para o DIU hormonal.
Estudos também indicam que a eficácia se mantém em mulheres com sobrepeso e obesidade, sem redução clinicamente significativa associada ao aumento do índice de massa corporal.
Implante x DIU x pílula: o que os estudos mostram
Quando se compara o implante de etonogestrel com outros métodos contraceptivos, é importante considerar não apenas a eficácia, mas também a continuação do uso, os efeitos colaterais e o custo ao longo do tempo.
Em relação à continuação do uso após um ano, as taxas foram maiores entre usuárias do DIU hormonal e do DIU de cobre do que entre usuárias do implante. A principal razão para a descontinuação do implante foram as alterações no padrão menstrual, responsáveis por 6,25% a 62% das interrupções. As usuárias do implante apresentaram mais amenorreia, ou seja, ausência de menstruação, e sangramento irregular do que as usuárias do DIU de cobre, embora o sangramento intenso tenha sido menos frequente nesse grupo.
Outros efeitos colaterais relatados com o implante incluem dor de cabeça, acne, dor abdominal e redução da libido. Cistos ovarianos foram observados em cerca de 26,7% das usuárias, mas regrediram espontaneamente, sem necessidade de tratamento.
Em contrapartida, o implante apresenta vantagens importantes em relação à segurança cardiovascular: estudos não encontraram associação significativa com aumento do risco de acidente vascular cerebral trombótico ou infarto do miocárdio. Também não foram observadas alterações na densidade mineral óssea ou no metabolismo de carboidratos após um ano de uso.
Do ponto de vista econômico, análises realizadas no contexto brasileiro indicam que o implante de etonogestrel pode ser uma alternativa menos custosa do que o DIU hormonal em um horizonte de cinco anos, com economia estimada de R$ 1.737,43 por paciente apenas nos custos de inserção.
Quando o implante é especialmente indicado
Além do uso contraceptivo, o implante de etonogestrel tem mostrado benefício em condições ginecológicas específicas. Estudos indicam que tanto o implante quanto o DIU hormonal reduzem significativamente a dor associada à endometriose e melhoram a qualidade de vida das pacientes. Diretrizes clínicas recomendam ambos como opções para o manejo dessa condição.
O implante também é uma alternativa relevante para mulheres que não podem ou preferem não usar métodos com estrogênio, como as pílulas combinadas, seja por contraindicação clínica ou preferência pessoal.
No entanto, é importante considerar que nenhum método é universalmente superior para todas as mulheres. A escolha deve levar em conta o histórico de saúde, a tolerância a possíveis efeitos colaterais, a preferência por métodos reversíveis de longa duração e a orientação do médico. O sangramento irregular, por exemplo, é um efeito esperado e comum com o implante, e deve ser discutido antes da inserção para que a paciente saiba o que esperar.
Referências bibliográficas
Moray et al., 2021. Reprod Health
Lopes da Silva Filho A et al., 2024. PLoS ONE
Goto D, et al., 2025. BMJ Sex Reprod Health
Bianchi et al., 2022. J. Clin. Med
Bianchi, P. et al., 2022. J. Clin. Med.
Becker CM et al., 2022. Human Reproduction Open
Middelkoop et al., 2023. Human Reproduction Update
Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde.
* Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e validado por especialista.
* Imagem meramente ilustrativa produzida por inteligência artificial.
![]() | Dr. Luiz Sabaini Ginecologista CRM/SP 222.683 | RQE 131795 |




