A endometriose pélvica é uma doença crônica que afeta entre 10% e 15% das mulheres em idade reprodutiva. Apesar de ser uma das condições ginecológicas mais comuns, ainda é frequentemente confundida com cólicas normais, o que atrasa o diagnóstico em até 8 a 10 anos. Entender o que é a doença, como ela se manifesta e quando buscar ajuda médica é o primeiro passo para proteger a saúde e a qualidade de vida.
O que é endometriose pélvica e por que ela acontece
O endométrio é o tecido que reveste internamente o útero e que é eliminado a cada menstruação. Na endometriose, esse mesmo tipo de tecido se desenvolve fora do útero, em locais onde não deveria estar, como os ovários, as trompas, os ligamentos uterinos, a bexiga e o intestino.
Imagine que uma semente de planta cai fora do vaso e começa a crescer no chão, na parede ou na janela. Ela continua se comportando como se estivesse no lugar certo, respondendo aos mesmos estímulos hormonais do ciclo menstrual, inflamando, sangrando e causando danos ao redor. É exatamente isso que acontece com os focos de endometriose dentro da pelve.
Do ponto de vista biológico, os focos de endometriose produzem quantidades elevadas de estradiol, um hormônio feminino, o que favorece sua própria proliferação. Além disso, o organismo forma novos vasos sanguíneos e terminações nervosas ao redor desses focos, o que explica, em parte, a dor intensa que muitas mulheres relatam. Importante destacar que o tamanho dos focos nem sempre determina a intensidade dos sintomas: lesões pequenas podem causar dor intensa, enquanto casos mais avançados podem ser assintomáticos.
Quais são os principais sintomas de endometriose
Os sintomas de endometriose são variados e podem se confundir com outras condições, o que dificulta o reconhecimento precoce da doença. Em 66% das mulheres, os primeiros sinais aparecem antes dos 20 anos, ainda na adolescência.
Os sintomas mais comuns incluem: dor pélvica crônica, que pode ocorrer tanto nos dias de menstruação quanto fora dela; dismenorreia (cólica menstrual intensa e progressiva), muitas vezes incapacitante; dispareunia (dor durante ou após a relação sexual); dor ao evacuar ou urinar, especialmente durante o período menstrual; menstruação irregular ou com fluxo intenso; fadiga persistente; e dificuldade para engravidar.
Pense na dor como um alarme de incêndio que dispara repetidamente, mesmo quando o fogo parece pequeno. O corpo está sinalizando que algo está errado, mas a intensidade do sinal não reflete necessariamente o tamanho do problema.
Em adolescentes, é importante que médicos e familiares fiquem atentos a cólicas que não melhoram com analgésicos comuns, dor fora do período menstrual, náuseas associadas à menstruação e histórico familiar positivo para a doença. Esses sinais merecem avaliação especializada.
A endometriose também está associada à infertilidade: estima-se que entre 25% e 50% das mulheres com dificuldade para engravidar tenham a doença. Os mecanismos envolvem distorção da anatomia pélvica, aderências, inflamação crônica, alterações imunológicas e comprometimento da qualidade dos óvulos.
Diagnóstico e tratamento: o que esperar
O diagnóstico definitivo da endometriose é feito por laparoscopia, um procedimento cirúrgico minimamente invasivo que permite visualizar diretamente os focos da doença dentro da pelve. No entanto, a ultrassonografia e a ressonância magnética são ferramentas importantes para identificar formas mais avançadas, como a endometriose profunda infiltrativa, que pode comprometer intestino, bexiga e ureter.
O tratamento depende da gravidade da doença, dos sintomas e dos objetivos da paciente, incluindo o desejo de engravidar. As opções disponíveis incluem: medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor; tratamento hormonal, que reduz a atividade dos focos e alivia os sintomas; cirurgia laparoscópica, indicada para casos com dor intensa, infertilidade ou lesões avançadas; e fisioterapia pélvica, que atua no tratamento dos distúrbios do assoalho pélvico associados à doença, com técnicas como terapia manual.
É fundamental compreender que, até o momento, não existe cura definitiva para a endometriose, e as opções de tratamento visam principalmente controlar os sintomas, preservar a fertilidade e melhorar a qualidade de vida. A pesquisa científica avança em busca de novos marcadores moleculares e terapias mais eficazes, mas ainda requer mais estudos.
O impacto da endometriose vai além do físico: a doença afeta a vida sexual, profissional, social e emocional das mulheres. Reconhecer os sintomas cedo e buscar avaliação médica especializada é o caminho mais seguro para reduzir esse impacto e ampliar as possibilidades de tratamento.
Referências
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![]() | Dr. Luiz Sabaini Ginecologista CRM/SP 222.683 | RQE 131795 |




