Mulher lendo laudo médico iluminado por luz natural suave

O pólipo uterino é um crescimento benigno no revestimento interno do útero que afeta mulheres em diferentes fases da vida. Embora na maioria dos casos seja inofensivo, ele pode causar sintomas que interferem na rotina e, em situações específicas, merece acompanhamento cuidadoso. Conhecer o que é esse pólipo, por que ele aparece e quais sinais ele provoca é o primeiro passo para buscar a avaliação correta.


O que é um pólipo uterino e por que ele surge

O útero é revestido internamente por uma camada chamada endométrio, que se renova a cada ciclo menstrual. Quando células dessa camada crescem de forma localizada e excessiva, formam uma pequena saliência presa à parede do útero — esse é o pólipo endometrial, também chamado de pólipo no útero ou pólipo no endométrio.

Pense no endométrio como um jardim bem organizado. Em condições normais, as plantas crescem de forma uniforme. O pólipo seria como um arbusto que cresceu fora do padrão, ocupando um espaço maior do que deveria, sem se misturar ao restante.

Esses crescimentos são muito comuns: estudos estimam que entre 7,8% e 34,9% das mulheres podem ter pólipos endometriais em algum momento da vida. Os fatores de risco mais estudados incluem idade mais avançada, pressão alta, obesidade e uso de tamoxifeno — medicamento utilizado no tratamento de alguns tipos de câncer de mama, que age de forma semelhante ao estrogênio no endométrio e pode estimular esse crescimento anormal. A síndrome dos ovários policísticos também aparece como fator associado na literatura científica.


Quais são os sintomas do pólipo uterino

O sintoma mais frequente do pólipo uterino é o sangramento uterino anormal. Isso inclui menstruações mais intensas do que o habitual, sangramento fora do período menstrual, manchas de sangue entre os ciclos e sangramento após a relação sexual.

Em mulheres na pós-menopausa — período em que a menstruação já cessou —, qualquer sangramento vaginal é considerado anormal e exige avaliação ginecológica. Nesses casos, o pólipo no endométrio é uma das causas investigadas com prioridade.

É importante saber que muitos pólipos não causam nenhum sintoma e são descobertos por acaso durante uma ultrassonografia de rotina. Outros, porém, podem contribuir para dificuldades de engravidar, já que alterações na cavidade uterina estão associadas a desfechos gestacionais desfavoráveis.

Imagine o interior do útero como uma sala onde o embrião precisa encontrar um ambiente acolhedor e sem obstáculos para se instalar. Um pólipo pode funcionar como um móvel fora do lugar, dificultando esse processo sem necessariamente causar dor ou outros sinais perceptíveis.

O diagnóstico é feito principalmente por ultrassonografia transvaginal e confirmado, quando necessário, por histeroscopia — um exame que permite visualizar diretamente o interior do útero com uma câmera de pequeno diâmetro.


Quando o pólipo uterino merece atenção especial

A grande maioria dos pólipos uterinos é benigna. No entanto, existe uma probabilidade de 3% a 5% de transformação em câncer endometrial, e essa chance aumenta em situações específicas. Mulheres na pós-menopausa com sangramento anormal e pólipos apresentam um risco de três a quatro vezes maior para malignidade em comparação com mulheres sem esse sintoma. Em um estudo com esse perfil de pacientes, a prevalência de pólipos malignos chegou a 10,9%.

O tamanho do pólipo também importa: aqueles com 18 mm ou mais apresentaram maior risco de alterações histológicas preocupantes. A idade mais avançada — com média de 64,4 anos nos estudos — e o uso prolongado de tamoxifeno por mais de 48 meses são outros fatores que aumentam a atenção clínica necessária.

Pense na avaliação do pólipo como a revisão periódica de uma instalação elétrica doméstica. Na maioria das vezes, tudo está em ordem. Mas certos sinais — como a idade da instalação, o histórico de uso e o ambiente — indicam que uma inspeção mais detalhada é prudente, mesmo sem nenhum problema aparente.

Por isso, a decisão de acompanhar ou remover um pólipo é sempre individualizada. Ela leva em conta os sintomas da paciente, seu histórico de saúde, os fatores de risco presentes e os achados dos exames. Essa avaliação deve ser feita com um ginecologista, que poderá indicar o caminho mais adequado para cada caso.


Referências

Boureka, E. et al., 2025. Cancers

Xie et al., 2025. Journal of Health, Population and Nutrition

Carson SA, Kallen AN, 2021. JAMA

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Donnez et al., 2022. Fertil Steril

Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde.

* Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e validado por especialista.

* Imagem meramente ilustrativa produzida por inteligência artificial.

Dr. Luiz SabainiDr. Luiz Sabaini
Ginecologista
CRM/SP 222.683 | RQE 131795

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